Porque a vida moderna faz isso com a gente!

6.13.2008

"As pessoas demandam liberdade de expressão para compensar a liberdade de pensamento que não exercem"
Søren Kierkegaard

1.21.2008

Nunca mais eu volto aqui!

Também não bebo mais.

Parei de mentir.

Agora sou um agente do Sistema. Um Man in Black. Caçador de inadimplentes.

Agora só escrevo o que manda o normativo, só respiro o que autoriza o COPOM e só respondo a quem trás o CPF em mãos. Devidamente atualizado na Receita Federal.

Só deixaram que mantivesse minha canalhice e o alto teor cretino do que digo.

De que outra forma se pode agir em prol do Sistema?

9.18.2007

TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES

Ainda da série "Nosso Parlamento parlamente", a campanha "TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES". Recebi essa via e-mail e a pertinência é tão grande que não tem como não passar adiante.

Como sempre, não vai adiantar nada mas serve pra gente destilar nossa revolta e exercitar o nosso direito a reclamar, afinal de contas, reclamar ainda é de graça. Se não fosse, o colega professor que redigiu o texto da campanha certamente não o teria feito pois seu salário não permitiria.

Segue aí mais um sketch dessa comédia pastelão chamada Brasil.


"TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES

...e aí sim teremos um Brasil melhor, + politizado, + consciente, menos dependente de programas assistenciais e com um povo menos omisso)

Prezado amigo: Bom dia!

Sou professor de Física, de ensino médio de uma escola pública em uma cidade do interior da Bahia e gostaria de expor a você o meu salário bruto mensal: R$650,00 Eu fico com vergonha até de dizer, mas meu salário é R$650,00. Isso mesmo! E olha que eu ganho mais que outros
colegas de profissão que não possuem um curso superior como eu e recebem minguados R$440,00.

Será que alguém acha que, com um salário assim, a rede de ensino poderá contar com professores competentes e dispostos a ensinar? Não querendo generalizar, pois ainda existem bons professores lecionando, atualmente a regra é essa: O professor faz de conta que dá aula, o aluno faz de conta que aprende, o Governo faz de conta que paga e a escola aprova o aluno mal preparado. Incrível, mas é a pura verdade!

Sinceramente, eu leciono porque sou um idealista e atualmente vejo a profissão como um trabalho social. Mas nessa semana, o soco que tomei na boca do estomago do meu idealismo foi duro! Descobri que um parlamentar brasileiro custa para o país R$10,2 milhões por ano. São os
parlamentares mais caros do mundo. O minuto trabalhado aqui custa ao contribuinte R$11.545. Na Itália, são gastos com parlamentares R$3,9 >milhões, na França, pouco mais de R$2,8 milhões, na Espanha, cada parlamentar custa por ano R$850 mil e na vizinha Argentina, R$1,3
milhões.

Trocando em miudos, um parlamentar custa ao país, por baixo, 688 professores com curso superior !

Diante dos fatos, gostaria muito, amigo, que você divulgasse minha campanha,na qual o lema será:

"TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES".



Vamos lá! passe a frente."



Isso aí, passe adiante fazendo favor. Até porque, não vamos até Brasília pra fazer pressão mesmo. É longe, seco, árido e ninguém vai pagar propina pra gente por isso. E, afinal de contas, quem não vai à Brasília receber propina, vai pra reclamar de quem recebe. E para esses últimos, para que eu não seja totalmente injusto, fica a sugestão de esquecermos esse papo de Planalto Central e refundarmos a capital de um novo país em algum lugar mais agradável e ao alcance dos braços do povo, para exaltá-los ou comê-los de porrada.

9.17.2007

Nosso Parlamento parlamente!

Foram vistas as brilhantes manobras mostradas por nosso Senado, casa maior do parlamento brasileiro que, defendendo os interesses de seu presidente, nos provou que é uma casa fiel às suas tradições trazidas do tempo em que Pindorama era só uma colônia de Portugal, abrigando seu Rei covarde e preguiçoso, e instaurando a preguiça e a morosidade como retrato e referência de boa conduta à todo o povo que aqui habitava e continua habitando.
Vendo tamanho exemplo de feudalismo, corrupção, semvergonhice e leviandade, sinto-me compelido à fazer um elogio a tal exemplo de brasilidade, de afeto pelo poder público e das facilidades que só uma cadeira parlamentar em Pindorama podem oferecer àqueles que tanto lutam pelo povo brasileiro; para que este continue satisfeito e feliz como somos e continuemos endossando e elegendo esta casta de fariseus que nos protege e nos guia dia e noite, tendo em mente sempre a honra e a proteção do estado brasileiro e de seu povo enquanto patrocinadores da vida nababesca que levam.
Como minhas musas infelizmente tiraram férias nesse assunto, busco no Rock nacional dos anos 80, quando ainda havia esperança e ilusão de mudanças no coração do povo brasileiro. Fala Roger e seu Ultraje à Rigor.


Filha Da Puta
(Roger)


Morar nesse país
É como ter a mãe na zona
Você sabe que ela não presta
E ainda assim adora essa gatona
Não que eu tenha nada contra
Profissionais da cama
Mas são os filhos dessa dama
Que você sabe como é que chama
Filha da puta
É tudo filho da puta
É uma coisa muito feia
E é o que mais tem por aqui
E sendo nós da Pátria filhos
Não tem nem como fugir
E eu não vi nenhum tostão
Da grana toda que ela arrecadou
Na certa foi parar na mão
De algum maldito gigolô
Filha da puta
É tudo filho da puta
'Cês me desculpem o palavrão
Eu bem que tentei evitar
Mas não achei outra definição
Que pudesse explicar
Com tanta clareza
Aquilo tudo que a gente sente
A terra é uma beleza
O que estraga é essa gente
Filha da puta
É tudo filho da puta


Se por um acaso ofendi alguém descrevendo algumas coisas muy desagradáveis como características de nosso povo e país, pode reclamar no link pros comentários abaixo.
Até porque, sei que você não vai até Brasília pra fazer isso mesmo.
Só digo uma coisa, assim como aconteceria na capital federal, sua reclamação não vai adiantar porra nenhuma,mas você é livre pra tentar me convencer, quem sabe assim não pratica um pouco desta liberdade de expressão que dizem que temos discutindo algum assunto e treina pra se um dia resolver se acreditar como alguém passível de ser atuante e pertinente para melhorar suas próprias condições de vida.

9.13.2007







Carta de recomendação de um Filósofo.
"Com o julgamento dos anjos e dos santos, por meio desta, excomungamos, execramos e anatematizamos Baruch de Spinoza. Maldito seja de dia e de noite, maldito ao deitar e ao se levantar, maldito ao sair e ao entrar.
O Senhor apagará seu nome de sob o sol e o expulsará por seus malefícios de todas as tribos de Israel.
Ninguém pode falar-lhe diretamente ou por escrito, nem fazer favor algum ou estar sob o mesmo teto que ele , nem se aproximar menos de quatro côvados ou ler qualquer documento que tenha escrito ou ditado."



Ato de banimento e excomunhão de Baruch de Spinoza- Amsterdã, julho de 1656.

9.11.2007

6 anos!

Porque o inimaginável pode acontecer se você tiver a ferramenta certa à mão.

8.02.2007

Ofício (P.C. Pinheiro)

A música me ama
Ela me deixa fazê-la
A música é uma estrela
Deitada na minha cama

Ele me chega sem jeito
Quse sem eu perceber
Quando dou conta e vou ver
Ela já entrou no meu peito

No que ela entra a alma sai
Fica o meu corpo sem vida
Volta depois comovida
E eu nunca soube onde vai

Meu olho dana a brilhar
Meu deo corre o papel
E a voz repete o cordel
Que se derrama do olhar

Quando termino meu canto
Depois de o bem repetir
Sinto-lhe aos poucos partir
Quebrando enfim todo o encanto

Fico algum tempo perdido
Até me recuperar
Quase sem acreditar
Se tudo teve sentido

A música parte e eu desperto
Pro mundo cruel que aí está
Com medo de ela não voltar
Mas ela está sempre por perto

Nada que existe é mais forte
E eu quero aprender-lhe a medida
De como compõe minha vida
Que é para compor minha morte

6.25.2007

Torturas que as mulheres sofrem...

Esta pérola está no site daquela que tem genes como os meus...
Tive que linkar aqui como um exemplo, uma denúncia, uma comédia do feroz universo feminino.

Tortura Moderna

Quero ver discutir a natureza da beleza depois dessa...

5.24.2007

Primeira e única pessoa do singular.

Sempre me intriga a capacidade do ser humano de poder torcer seu discurso, sua atitude e seus argumentos para justificar suas ações ou buscar seus interesses. Não importa para onde olhemos, em quantos metros de discurso esteja diluída, a maioria das pessoas faz ou age, na maior parte do tempo, em prol de seu próprio bem e interesse, mesmo que se seja de forma bem intencionada.

A vontade e a própria barriga regem o mundo e por incrível que pareça, acho que o mundo está na boa com isso uma vez que, freqüentemente estranhamos aqueles que abrem a boca para dizer qualquer coisa que, sendo justa, possa ir contra seu próprio bem-estar.

Recebi agorinha mesmo, vindo de uma pessoa caríssima para mim, uma brincadeira que exemplificou este estranhamento que me acompanha e me estranha também.


Veja abaixo:

2.16.2007

philoésys

Não existe filosofia sem poesia,
não existe pensamento sem arte.
Se do pensar, tiramos a beleza,
do que é que ele faz parte?

Sempre me considerei melhor proseador
do que sou poeteiro,
Por exemplo, veja que rima feia
Se digo que o verso me toma por inteiro

Mas o pensamento,
Veja só com que beleza que ele sai:
To gar auto nóein
estin te kai einai

2.02.2007

Responsabilidade social



Não cultuo a violência. Não aprecio a desgraça alheia. Sou um pacifista por convicção e por exigência religiosa. Porém também não sou de ficar fugindo da realidade e muito menos de fazer apologia da ilusão em detrimento daquilo que efetivamente nos cerca. Por isso estou adicionando ao meu blog um link para o site Rio Body Count, que nos mostra em tempo real a situação da violência na nossa cidade do santo crivado. Baseado em notícias retiradas dos jornais, André Dahmer e Vinícius Costa criaram este site que nos mostra o número de mortos e feridos nesta guerra civíl que nos cerca.

A pungência e necessidade desse site se dá pois a apatia que nos acomete e a necessidade que nos aferra a nossas vidinhas cotidianas muitas vezes nos impede de contemplar "the big picture", o quadro geral de quão séria é a situação na cidade em que vivemos.

Tomara que possamos tirar esse site do ar o quanto antes. Enquanto isso não acontece, quero mais é que ele seja a página inicial de todos os browsers dos cidadãos do Rio de Janeura pra que não nos esqueçamos de onde e como vivemos aqui.


.::Dracor Andrealphus::.

1.25.2007

Pra relaxar... um pouco da essência do trabalho de suporte à usuário...
Cuidado, usuário com linguagem de baixo calão, não apropriado para pessoas com ouvidos sensíveis. Nem pra quem não pode rir alto no trabalho...

O peso mais pesado

“Moro em minha própria casa,

Nunca imitei à ninguém,

E rio de todos os mestres,

Que nunca riram de si”



Como já foi dito anteriormente, o Eterno retorno de Nietzsche consiste em um dos conceitos mais obscuros presentes na obra do filósofo prussiano; tanto por sua natureza complexa quanto pelo escasso material deixado por ele aclarando o assunto. Sua principal referência pode ser encontrada em A Gaia Ciência, no aforismo 341, onde coloca, em seu tradicional lirismo, exposta a essência do conceito:”E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indizivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?" A partir deste aforismo pretendo expôr alguns aspectos que me saltaram aos olhos de forma à me auxiliar na compreensão ou colocar obstáculos à mesma desviando meus olhos do cominho proposto pelo professor da Basiléia.

Antes de mais nada, percebi que além da exposição do conceito, Nietzsche versa sobre quais atitudes seriam possíveis perante a ciência de tão angustiante – ou reconfortante- idéia. Primeiramente vou me ater a isso, as possibilidades apresentadas como possíveis perante este anúncio feito pelo demônio-deus. A do homem que renega e do homem que abraça. O que separa a ambos? Que tamanha diferença compartilham para que tenham tal abismo entre si? Porém, antes de mais nada, vale lembrar que tal qual qualquer filósofo anterior ou posterior, Nietzsche busca à Verdade e somente à ela jura lealdade, mostrando claramente, perante os dois possíveis caminhos, qual é aquele que conduz o homem em direção à ela e portanto à sua felicidade e realização plenas.

Gostaria de iniciar lembrando que é prudente localizar o filósofo prussiano como, antes de mais nada, um defensor do movimento da vida, um adorador do sentido trágico da existência, sentido este que longe de buscar ditar regras ao eterno devir de todas as coisas, caminha a seu lado, fazendo-se à altura de ser considerado um amante da vida tal como ela. Sua antítese, revelada no fragmento, porta-se como um legislador, fracassado, um frustrado herdeiro da cristandade, desejoso e idealizador da satisfação que não lhe é assegurada nem garantida, nesta ou em qualquer outra vida que por ventura possa-se vir a ter, creia-se ou não.

Nietzsche leva às últimas consequências a idéia de que a vida não assina contratos e não aceita o jugo imposto por quem quer que seja. E quem irá legislar por cima da vida? Atelie de nossa existência, onde longe de sermos os artistas, nos realizamos sendo a obra da construção do eterno pulsar da existência que se desfralda perante nós e nos leva, tal qual cavaleiro que não usa rédeas, mas do contrário aceita ser conduzido para o destino que, inevitável, torna-se prazeiroso ao ser visto como amante e mestre.

Desta forma o autor demonstra as duas possíveis reações perante a revelação do eterno retorno de todas as dores e todos os prazeres. A primeira, herdeira da tradição legisladora da conceituação ocidental, com as bençãos de Paulo de Tarso, retrata o peso da frustração perante a falta de controle imanente da forma que o desenrolar da existência nos arrasta, de tal forma acorrentado pelo pescoço em seu fluxo, que jamais permite que haja controle; a asfixia da revelação de nossa insignificância perante o brotar, a força constante que arrasta o homem e não permite jamais que nos ergamos para respirar e ver a luz de platônica, que deveria nos aclarar e desvendar o mundo tal qual ele é. Então, com isso mostra o amigo demônio que tal luz, longe de nos dar a segurança desejada, o conforto e a linha reta, sequer existe. Por tal razão amaldiçoa o demônio, sua verdade e quiçá o autor que redige linhas que contém tamanho desvio. Maldita a pena que redigiu estas linhas e que fazem seus dentes rangerem e o edifício da mecanicidade e do desfrutar do mundo ruir, vindo por terra ao som filarmônico da melodia da verdade da existência.

De outra feita, Nietzsche nos apresenta àquele que viveu “alguma vez um instante descomunal” e, inebriado por tamanha experiência, reconhece na verdade dita pelo amigo demônio, tornado em deus, a medida do desenrolar da existência e da falta de desejo e de possibilidade de que tudo venha a ser de outra forma, se deita ao leito trágico da vida e se faz desta seu amante, companheiro e pleno vontade que ela seja tal como é, hoje e sempre, sem que haja morte possível que o separe, nem felicidade maior que o complete, pois que a realidade do mundo tal como ele é se desfralda perante seus olhos e ouvidos e o preenche de saber, tornando-o filósofo e homem, vida e morte, amor e ódio, pleno e satisfeito com seu amor pelo saber. E há algo mais pleno de si que o filósofo que, ouvindo a verdade sendo dita por aquele que dela compartilha e conhece, o demônio deus do saber, não se preencha e deseje que ela seja eterna assim como a existência que leva?

Sinto no fundo da garganta ao ler o aforismo 341, mais do que a exposição de um conceito acerca do funcionamento do mundo, da impossibilidade da geração de novas experiências, ou da criação de novas vidas e situações, assunto por demais obscuro e que merece uma apreciação de melhores do que eu para que este não seja tal como mulher madura cortejada por meninos. Reconheço ao ler o aforismo, nesse momento, a minha impossibilidade, ou talvez a imposibilidade eterna da compreensão dos mecanismos da existência. E talvez por isso o velho mestre não se prolongue, ou torne mais claro, em seu mais célebre aforismo, “O mais pesado dos pesos” sobre os meandros do conceito que apresenta. Sinto a exibição de mais uma apresentação daquilo que o filósofo considera como sendo a postura necessária não somente para o filósofo, mas para o homem em geral. Uma postura que traga ao homem uma possibilidade de felicidade, de realização perante ao mundo enquanto parte do mesmo, como ser que compartilha e reconhece que faz do mundo que o cerca, como parte integrante e não como figura arrogante que pretende dominar e escravizar este mundo para que satisfaça a sua necessidade de sobrevivência, de controle ou de poder.

O poder do homem, representado pela busca do filósofo pela verdade, reside na capacidade, ou talvez na possibilidade de, reconhecer a vida tal como ela se mostra e, na anuência destes processos, fazer-se digno de agir de acordo com isso e realizar plenamente a sua própria existência. De novo, novamente, incansável e apaixonadamente, desejoso de estar no mundo e dele sentir o devir e ocaso de tudo, no eterno ballet de “cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indizivelmente pequeno e de grande” feliz de, conhecendo o mundo como ser inserido neste, se faz digno e feliz de poder tal como não posso, agora, menino, decifrar o mistério do Eterno Retorno, cortejar a existência como seu amante fiel, maduro e ciente de tudo o que está em jogo e aceitando em seu leito tudo aquilo que a vida, amada, tem para nos oferecer.

.:: Rodrigo Sinoti ::.

Cartola, Nietszche e o sentido trágico da existência.

Acontece


Esquece o nosso amor,
vê se esquece.
Porque tudo no mundo acontece

E acontece que eu já não sei mais amar.
Vai chorar, vai sofrer, e você não merece,
Mas isso acontece.

Acontece que o meu coração ficou frio
E o nosso ninho de amor está vazio.

Se eu ainda pudesse fingir que te amo,
Ah, se eu pudesse
Mas não quero, não devo fazê-lo,
Isso não acontece.

Cartola





Este ensaio não visa de forma alguma uma análise da obra de Cartola, nem sequer de uma música, seja pela perspectiva do autor mesmo ou de algum comentarista. Nem mesmo sei ao certo se presta para uma análise, comentário ou aclaramento, mesmo que superficial, acerca de conceitos expressos e advindos da filosofia de Friederich Nietzsche ou de qualquer outro filósofo prévio ou posterior ao Professor da Basiléia. Busca sim, através de uma música de Angenor de Oliveira, vulgo Cartola, de nome Acontece, associadas à pensamentos em mim produzidos graças ao parco estudo da obra de Nietzsche e alguns outros autores da genealogia filosófica que nos precede enquanto amantes do saber, apresentar um ensaio cuja inserção conceitual prefiro deixar a cargo daqueles que hão de julgá-lo, os eventuais leitores, posto que a eles pertence o que quer que seja produzido em suas mentes quando desta leitura. Trago aqui, somente, os pensamentos produzidos em mim pela afecção conjunta da leitura e da apreciação musical dos referidos autores, reivindicando para mim as associações criadas entre a canção e a filosofia, eximindo o músico em questão de qualquer tentativa de inserir em sua obra qualquer conceito filosófico formal. O mesmo já não posso fazer com relação a Nietzsche, uma vez que conceitos estéticos por ele elaborados foram, senão a coluna cervical daquilo que me leva a produzir esse ensaio, pelo menos o trampolim através do qual me lanço para poder compartilhar parte de minha subjetividade e compreensão do real. Meu olhar, produtor de interjeições, associações, relações e críticas, trouxe-me estes pensamentos e, tal como o devir, o brotamento necessário e incessante da totalidade do real, essência trágica do mesmo, de que pretendo falar aqui, trago a necessidade pungente da produção deste ensaio. Que de início, por sua temática já é deveras complexo devido aos elementos que se mesclam para dar face às impressões que aqui trago, a música, o samba em especial, posto que este gênero é produtor em mim de um sentimento mui especial, e a filosofia do já referido autor, controversa por natureza. Porém há, nesta mescla, um fator que se não foi por mim deliberadamente deixado de lado, gentilmente pedi licença para não me concentrar nele uma vez que sua natureza é por demais complexa e geradora de sentidos que não são aqueles que aos quais me foco aqui. Me refiro ao amor, indiscutivelmente um tema da maior importância, mas que não me sinto aqui, filosoficamente, habilitado para construir uma articulação satisfatória, ao meu ver, junto com a temática principal deste ensaio, a saber o sentido trágico da existência e a postura do homem perante tal. Por momentos temi que estas linhas soassem frias por utilizar uma obra que, mesmo trazendo em si, em minha percepção, um olhar trágico sobre o mundo, trás também e em uma posição infinitamente superior o amor como insígnia, mesmo ao se referir ao término do mesmo. O músico nos dá uma mostra de um amor que se finda e ainda assim permanece, transformado sim, mas ausente nunca. E esta permanência, percebo como sendo não uma amostra de um comportamento trágico mas a própria essência do trágico enquanto persistência, necessidade e eterno devir.

A emergência do real, seu eterno brotamento e acontecimento são constituintes do caráter trágico da existência e, porque não dizê-lo, talvez até mesmo constituam a sua essência. O devir enquanto eterno brotar, são perceptíveis na vida do homem através da seqüência incessante dos acontecimentos, encadeados ou não, súbitos ou esperados, que ocorrem no decorrer da duração de sua vida. Tudo, no mundo, acontece. A inevitabilidade desse fato que muito angustia o homem leva-o à busca do controle desse brotamento, seja pela força da ciência, que desde o seu surgimento se propõe a buscar o domínio dessa fluência, buscando verdades últimas e únicas que contém em si a idéia de domínio desse fluxo, impossível na prática e em essência. O mensurar, postular, legislar ou, de forma mais palatável, porém igualmente falaciosa, o conhecer o mundo, propõe que o homem possa ter maior domínio, ou menor afecção causada pela inevitabilidade dos acontecimentos que o atormentam incessantemente. Pois o homem busca, acima de todas as coisas, não sofrer e por isso, todas as manobras necessárias para mitigar a dor e sofrimento são tidas como válidas e até mesmo como possuidoras de um valor de verdade que, senão falso, é pelo menos tendencioso e por isso não fala de forma alguma do mundo enquanto tal, mas sim da perspectiva do homem enquanto ser temeroso e fraco por ser plenamente dessintonizado e desconectado desse mundo que busca conhecer.

O conceito estético da concepção “trágica” de mundo, como diz Nietzsche, consiste na “afirmação da vida até em seus problemas mais árduos e duros; a vontade de viver, regozijando-se no sacrifício de nossos tipos mais elevados ... O fim da tragédia não é desembaraçar-se do medo e da Piedade… mas realizar-se em si mesmo, acima do medo e da piedade, é a eterna alegria que leva em si o júbilo do aniquilamento.” Desta forma, a postura trágica deve sempre contemplar os acontecimentos da forma que ocorrem e produzir respostas à altura do mesmo, independente de sentimentos de piedade e morais no sentido de condescendência para com os outros. Há de existir o total respeito à forma com que cada coisa acontece. Em termos dos nossos tempos, a título de exemplo, a postura perante o amor, valor tido em mais alta conta e muitas vezes como valor supremo sendo, neste caso, inteiramente contrário ao sentido trágico, pode parecer contraditória se seu fim, o amor que se acaba, for enfrentada com a tranquilidade e serenidade de alguém que simplesmente constata algo que se mostra, um dado, um acontecimento dentre tantos outros ocorrentes em nossa vida, ainda que contenha em si, como Cartola tão brilhantemente nos presenteia, um amor transformado, um carinho que permance e com isso mostra um exemplo da dinâmica da vida em se manter enquanto princípio de transformação, já não mais amor, em sua forma tradicional. Portanto, simplemente acontece que já não mais se ama, finda-se um sentimento da mesma forma e com a mesma naturalidade que se finda uma vida, uma fala ou uma história. De um amor que finda e da forma que um dos amantes se coloca perante isso é que desejo retirar um exemplo de um modo de vida trágico que, ciente da dor, do desprazer e até mesmo da falta de causalidade, mantém-se fiel ao sentimento, ou à transformação deste e nisso, nesse acontecimento, pauta suas ações, buscando estar de acordo com a vida tal qual ela se mostra, e é. Mesmo da dor que se prevém pelo fim de um amor, a inevitabilidade do terminar, o ocaso da paixão se impõe como fator determinante evidenciando a fidelidade maior do amante; o sentimento e não a pessoa amada. Pois quem ama, ama o amar que sente pela pessoa, e é isso que atribui o valor tão importante à pessoa amada, ela é o alvo do sentimento, logo este concede àquela o valor que possui. De outra forma, o não respeito ao fim do sentimento pode fazer com que o mesmo, outrora prazeiroso, anseoso pela eternidade, com a mesma legitimidade e necessidade torne-se vicioso e desagradável, inexistente ou simplesmente saudoso, tornando se desconectado, um rio sem mar.

A fidelidade do homem para consigo é determinante na estética trágica. Nada pode, deve ou ocorrerá que não esteja em sintonia com o aquele que sente. Não pode, não quer e não irá o homem trágico comportar uma existência que não satisfaça aquilo que a vida trás ao acontecimento. É sempre a vontade que conduz o homem, seja ele trágico ou não. Ao homem não é dado fazer o que não quer, seja qual for o grau de escolha que tenha, que seja mais ou menos evidente, sempre há a escolha. O que escolher, como conduzir suas ações, sempre foi assunto em voga, seja naqueles que crêem na estaticidade da existência, seja naqueles que ouvindo ao lógos antes de si mesmo, ou seja, estando em sintonia com a emergência e necessidade de tudo que vem a ser. O que e como escolher sempre foram preocupações vivas no homem. Aquele que sabe ouvir, não às morais do homem, escravas de sua necessidade de controle e sobrevivência, mas, como disse o dualista, “ao lógos, que diz que tudo é um”, sabe viver de acordo com o infindável brotar da existência e se faz amante e cúmplice deste brotamento, não permitindo a inverdade de um sentimento que não tem espaço, que não se faz vontade suficiente para conquistar seu lugar no tecido existencial comum. Mesmo que o corte, o impedimento de tal coisa produza dor, sofrimento, que são, em última análise, inerentes à existência. Diz para si: “Se ainda pudesse fingir que te amo. Ah se eu pudesse. Mas não quero, não posso fazê-lo. Isso não acontece.” Deseja dizer que ama porquê já amou um dia, porém não quer dizê-lo porquê já não ama mais e não o pode por que o acontecimento desta inverdade não vem a ser.

Não há no sentido trágico da vida espaço nem para a impedosa caridade cristã nem para o paralizado sentido de verdade, sintoma de decadência, desejo de planificação e de satisfação do mediano e do comum. O trágico da existência se mostra como força, como emergência e como necessidade. É sábio reconhecer isso e perigoso não compreendê-lo, sobretudo quando vivemos sob a égide da moral cristã que arrasta o homem para a piedade porém não o levanta para a felicidade. Que permite o sofrimento como forma de purificação, quando esta só é possível quando há junto de si sentido, fidelidade e compreensão do homem com o mundo que se desfralda diante de si.



.::Rodrigo Sinoti::.

11.02.2006

rascunhos a serem desenvolvidos, ou variações sobre o mesmo tema.

Um pensamento que me ocorre: o que seria do mundo sem a compreensão humana...

Um momento que vivo: pouco tempo para dormir, Os momentos de vigília alterno entre a euforia da descoberta e a análise dos gerúndios que me cercam, sem dormir. Em pé sem cair, deitado sem dormir e sentado sem cochilar.

Uma expectativa: manter as coisas como estão, modificando como dá.

Uma certeza que persiste: pro diabo com o princípio da não-contradição.

Uma nota de pé de página: Hoje todos os ônibus levam ao cemitério. Repare nas placas num dia 02 de novembro.

10.30.2006

Trainspotting

Choose Life.
Choose a job.
Choose a career.
Choose a family.
Choose a fucking big television,
choose washing machines, cars,
compact disc players and electrical tin openers.
Choose good health, low cholesterol, and dental insurance.
Choose fixed interest mortage repayments.
Choose a starter home.
Choose your friends.
Choose leisurewear and matching luggage.
Choose a three-piece suite on hire purchase in a range of fucking fabrics.
Choose DIY and wondering who the fuck you are on a Sunday morning.
Choose sitting on that couch watching mind-numbing, spirit-crushing
game shows, stuffing fucking junk food into your mouth.
Choose rotting away at the end of it all, pishing your last in a miserable home, nothing more than an embarrassment to the selfish, fucked up brats you spawned to replace yourself.

Choose your future.

Choose life.


John Hodge


Yeah, choice is a bitch and we´re all her children.

7.21.2006


Deus, que é pai, salve Allan Sieber!!!

7.11.2006

Os Clássicos são eternos


Os clássicos são eternos em audiovisual tb...

Infância róquenrou


Quando se é criança, até o Rock and Roll parece perfeito.
Com vocês, the hottest band in the world,The Electric Mayhem!!!!

6.30.2006


Um pouco de Al Pacino interpretando você num dia de mau humor...

Sexy thing



Manhê, olha lá o que eu quero ser quando crescer!!!


A-berração...

Revolta da caneta


Como a pena já não me apetece e tenho estado interessado em outros esportes digitais que não a digitação propriamente dita, vem aí uma série de vídeos absurdos, ridículos, cômicos, tragicômicos e radicais.

Caso ofenda alguém, sinto muito, você veio aqui porque quis.. não dou garantia, não troco a mercadoria e devolver o dinheiro nem pensar....

Perca a cabeça se puder...

3.30.2006

Um pé na bunda pras estrelas.



É com grande prazer que este velho rabugento que vos escreve anuncia a já não tão nova notícia de que finalmente conseguimos mandar um brasileiro pro espaço... já que pra puta que o pariu já não mais funcionava, muito menos pra cadeia, uma vez que ele não roubou galinha alguma.

Já que provamos que, com o devido equipamento, um militar treinado pode sobreviver no vácuo sideral, agora passamos para a segunda etapa do projeto e vamos ver como se comporta um político corrupto ou celebridade acéfala, sem equipamento algum, soltinho em órbita, no frio e gelado vazio exterior. Se der certo continuamos mandando gente até que o volume de lixo espacial seja tanto que afete nossas telecomunicações.

Por isso, me sinto muito feliz de iniciar a temporada de CAMPANHAS neste mal traçado blog e peço a todos os coitados que chegarem a ler isso que deixem um comentário dizendo as cinco personalidades nacionais, internacionais e alienígenas que gostariam de ver, não a olho nú, claro, rodando em órbita só de sunguinha ou biquini, pegando um bronze nas tempestades solares.

Vou dar a largada nos comments. Para ver a minha listinha de I-juca Piramas, acesse os comments desta josta. Qualquer dia eu bosto o resultado da campanha e a gente parte pra catar os felizes ganhadores e meter na catapulta de lançamento.

Boa sorte pra eles e os satélites que se danem com o cheiro que vai ficar lá em cima.

3.15.2006

Ojo ibi Òrìsà ire o

Meu aniversário de iniciações passou batido por esta guilhotina virtual, mas como é de praxe, vou tentar colocar algumas das reflexões que esses momentos tão especiais, seja no passado, seja no presente, me inspiram, expiram e transpiram.

Como disse antes em algum lugar deste sítio, nascimento para o nagô é um processo que pode durar anos. É um início e como tal não é tão somente um tiro de largada, é um princípio de caminho, e é nesse estágio que hoje, acho que mais que nunca, me sinto, engatinhando novamente. Novamente mesmo. Sei que um dia achei que andava, hoje em dia já não tenho essa pretensão. Engatinhar já me coloca e me leva ao lugar em que tenho que estar e já é mais do que posso aguentar.

É impressionante como podemos sempre achar que não sabemos nada e ainda assim nos surpreendermos com a veracidade desse fato quando ele é estampado e esfregado na nossa face. Num eterno processo de construção e desconstrução, desde que renasci pelas mãos do Ifá, nunca vi sua influência tão inserida na minha vida prática. Minha vida hoje não é algo ao qual eu tenha nem se quer a ambição de ter algum controle. Montanha-russa, carrossel ou tobogã, seja lá o que ela for, eu simplesmente estou nela e danço conforme a música. Quem orquestra a trilha sonora é Yemanjá e Orunmila. Mãe severa e Pai didático, do jeito que eu preciso e gosto.

Diz Ifá que todas nossas cabeças vêm do mesmo lugar, a diferença está no conteúdo e na forma que cada uma foi feita. Ganhei de presente um boné com os escritos:”Em manutenção”. Não é exatamente um atestado de ISO9000, mas faz parte do processo iniciático. Neste ano que completo cinco anos de iniciação em Ifá o único lugar que quero e preciso estar é na sala de aula aprendendo a ser babaláwo para poder aprender a fingir que ainda sou humano.

Esù, ma se mi o


Acordei hoje pensando no tempo. Ao olhar para seu símbolo maior, o relógio, um único pensamento tomou meu ser: PUTAQUEPARIU, TO ATRASADO DE NOVO.

A rotina do homem contemporâneo é a genialidade da mediocridade à favor da rotina, do marasmo e do patrão, seja lá o que cada um entenda por essas três coisas.

Mas falando em tempo, já que faz muito que não pinta uma linha que preste nessas bandas banais dos anais digitais (à exceção de um certo surto Leminskiano que me assola de tempos em tempos), resolvi tomar um pouco de vergonha com dois dedinhos de vermute e ver se da ponta dos meus dedos sai alguma coisa que preste, porque, vou te contar que da cabeça é cada vez mais dificil. Começo de ano com mudanças radicais, mudo de emprego, pedi demissão velha escola e do velho idioma. Não dou mais aula nem tampouco falo mais português.

Um dos motivos do silêncio reinante neste blog, além da preguiça usual que nos mantém em segurança no nosso cotidiano, com paixões mornas e lutas inglórias, foi uma certa instabilidade profissional que, além de me deixar um tanto quanto desesperado pelo então andar da carruagem, me colocou numa montanha russa que, graças a Orixá, terminou por atropelar as razões da minha angústia e me tirar do alcançe dos ratos que às vezes infestam nossos porões. Porém, como é notório em situações desesperadas como tal, a gente pensa, escrever O QUE, falar O QUE? Quem tá na merda não canta, nos ensina a sabedoria do merdaco, quer dizer, do mercado.

Fato é que, como sempre, perdi a cabeça, mas dessa vez achei ela e novo e, enquanto não perco novamente, oh destino, digo que está reaberta a temporada das letras, beleza?

Então tá, feito isso, dou-me por satisfeito e me retiro. Escrevi, escrevi e não disse nada que preste, acho que estou voltando à velha forma.

11.04.2005

Amor baderno

Sinto no amargo da boca
o gosto dos amores passados.
Rompidos por puros prazeres,
por puros fracssos.

Vejo nos olhos das moças
a dor das paixões incendiárias
arrebatadoras, caminhantes,
revolucionárias.

Que cada um busque
se apaixonar
Que cada um encontre
a força de se saciar
no átimo falho do orgasmo quente.

11.03.2005

Já que a onda é poesia, um pouco de Leminsky

no campo
em casa
no palácio
está nas últimas
a última flor do lácio

cretino
beócio
palhaço
dê o último adeus
a última flor do lácio

a fogo
a laço
ninguém segura
a queda da última flor do lácio


XXX


apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme


XXX

parem
eu confesso
sou poeta

cada manhã que nasce
me nasce
uma rosa na face

parem
eu confesso
sou poeta

só meu amor é meu deus

eu sou o seu profeta

XXX

E chega por hoje...

Amor moderno

Cada beijo dado,
Um amor perdido.
Para cada trepada,
um coração partido.
Que se revoltem no escuro
com vontade do ar puro
cada uma das musas caídas.

Poesia para maiores que eu

Um auto revolucionário
Um ato insubordinado
No átimo apaixonado
Larga as armas
E beija a boca

Às coxas, o tato
que faz rubras as moças,
que cedem tímidas,
com arrepios na espinha,
ao convite da cama.

De tudo que a mente embota
resta os sentidos que entortam
a ética mais profunda,
que se rende ,inefável,
ao convite daquele que seduz.

8.24.2005

Utilidade Pública

Adicionei um link para a campanha "EU SEI ESCREVER". Vale a pena dar uma olhada e tentar salvar nosso português!

6.27.2005

Os clássicos são eternos

- Onde você estava ontem à noite???

- Faz muito tempo.... não lembro!

- Vamos nos ver essa noite?

- Não faço planos à longo prazo.



(Casablanca)

Na fúria do amanhecer
o homem esquece suas raízes.
No íntimo do seu ser
apenas mais um títere.

Abrir os olhos,
olhar o céu.
Não há como esquecer
do azul que brilha.

Não há como não doer
a boca que já não beija,
o corpo que já verdeja,
os olhos que já cerraram.

A natureza implacável
lembra o homem
que o cimento e o concreto
não construíram seu escape
Do abraço do anoitecer.

6.13.2005

Anatomia de um comportamento

Ele acordou com o poderoso som de gotas de água caindo na pia, abriu um olho após o outro, adaptando sua vista embaçada à luz que inundava o quarto. Deviam ser mais de onze horas. As gotas continuavam a cair com um som forte, mesmo com a cozinha se localizando no outro lado do apartamento. Algo havia de errado, não deveria estar ouvindo aquele som. Em meio a algazarra mental que seu despertar o havia lançado, pensou que devia averiguar o que ocorria. O som continuava.

Começou a animar seu membro paralisados pela atuação de Morfeu. Sem se recordar da noite anterior, fez um movimento acelerado para levantar da cama. O som aumentou enquanto se deu conta de que antes de vir da cozinha, o som vinha de dentro de sua cabeça. A percepção de tal fato veio acompanhada de uma forte dor se expandindo por seu crânio e a lembrança enfadonha e retalhada da noite anterior. Caiu de volta na cama sob o apelo de seu corpo fatigado. O som continuava.

A volta à posição horizontal, longe de dar-lhe satisfação, despertou novas sensações. Dúvidas, questionamentos. Olhou em volta e certificou-se que estava em casa. O sono voltou a corteja-lo e seu corpo, feliz, cedeu à corte e esvaiu sua consciência. Um repouso mais tranqüilo que o anterior tomou conta. O som amenizou até que se perdeu na distância entre a vigília e o sonho.

Acordou novamente horas mais tarde, sentindo seu corpo mais alerta e mais consciente. Consciente da dor em sua cabeça e do mal estar em seu corpo. A noite anterior foi reconstruída, mesmo que de forma meramente especulativa, uma vez que a memória fatual havia sido absorvida pelo álcool da mesma forma que ele havia absorvido este. Lembrou de ter ido ao encontro de seus mais caros amigos, ambos pertencentes a uma confraria que mantinha ativa a serpentina de cerveja do botequim adotado como sede da Cáfila, como se auto- intitulavam os membros da dita Confraria, conhecidos por sua habilidade de beber litros e litros de cerveja, diluídos em longas horas de conversas.

Lembrou-se de quão comemorada foi a sua chegada no bar, uma vez que se atrasara. Seus amigos já estavam a pouco mais de uma hora e sua função etílica já vinha sendo cumprida desde o momento de sua chegada à dita taverna. Comentários bem humorados sobre a natureza de seu atraso circularam a mesa, passando ligeiramente pelo balcão onde seu melhor amigo, o dono do bar, capitaneava as piadas especulando sobre o que seria mais importante que sua pontualidade. Sentou-se à mesa, serviu-se de um copo de cerveja e pediu um traçado – “pra não pegar resfriado” – sorveu a mistura de licor de mel e cachaça e virou o primeiro copo de cerveja, levantando a mão para o alto e fingindo ter um revolver na mão fez o clássico movimento de “foi dada a largada”.

Horas se passaram entre boas conversas sobre atualidades, futebol e mulheres. As garrafas de cerveja se acumulavam de forma geométrica, obedecendo à proporção do triângulo inicial, um perfeito triângulo equilátero com a medida lateral de sete garrafas. Óbvio que ao fechar o triângulo, um engradado perfeito, novo desenho era iniciado.

Foi na confecção do segundo triângulo que sua memória começou a ratear. Já não lembrava se o terceiro traçado já tinha rolado. Fato foi que conseguiu localizar o momento de sua queda exatamente na hora que alguém sugeriu uma rodada de Martini, sob o argumento de que algo doce faria bem para aumentar a glicose. Fato foi que daí em diante sua memória perde consistência e sua moral começa a falhar.

Lembra que de lá foram para outros lugares, uma longa noite, uma dança em cima de uma mesa de bar, princípio de strip, umas tantas cantadas mal formuladas e mal sucedidas, alguém sentido-se ofendido por alguma graça falada imprudentemente, buracos na memória, flashs estranhos. Dor, muita dor de cabeça. Nesse momento, sente a síntese de seu drama, a origem de seu mal, um mal, ao contrário do que se pode pensar a princípio. Sua dor não é causada pelo álcool, pelas companhias ou pelos tortuosos caminhos da noite. Seu mal é moral.

Prometendo-se nunca mais repetir a dose, se desligar da Cáfila, adorada confraria que ajudou a fundar, nunca mais voltar ao bar, romper de vez seu relacionamento com o dono do estabelecimento e adotar uma política de preservação do meio ambiente de seu organismo. Levanta-se da cama, arrasta-se até o banheiro. Num movimento de mestre, abraça aquela que pode compreende-lo e receber suas mazelas. Sentindo-se melhor, levanta-se, lava o rosto e se olha no espelho, com a sensação de desprezo daquele que se sente tendo incorrido no maior dos pecados e nem mesmo lembrar qual foi! No ápice de sua angústia, profere o fatídico juramento; nunca mais bebo assim. As gotas de água que retumbavam em sua cabeça continuavam, porém já havia se apercebido que não eram originárias da pia, senão de sua própria pulsação sendo sentida na sensível cabeça.

“Nunca mais bebo desse jeito” – Diz, manifestando o primeiro som do dia. De forma gutural e pausada, sente-se reconfortado pela decisão e tranqüilizado por saber que não mais passará por isso.

De repente, outro som se soma ao retumbante coração em sua cabeça, um som estridente, alto, que imediatamente localiza como sendo exterior à sua caixa craniana. Telefone, conclui dolorosamente. Arrasta-se e lentamente atende e profere o segundo som do dia: Alô.

Do outro lado, uma voz conhecida, algum dos camêlos da Cáfila, dizendo que a Confraria de tão animada com o sucesso da noite anterior e sobretudo com o espírito altivo de nosso baleado personagem, resolveu marcar reunião extraordinária para repetir a dose.

Desliga o telefone. Entre o desespero e a euforia se arrasta até a cozinha, localiza na estante o analgésico, com um copo d´água engole o comprimido, volta ao banheiro, toma um banho, se veste e vai de encontro ao bar, cumprir seu destino junto à Cáfila. O sol se põe em algumas dezenas de minutos. Mais uma noite....

6.02.2005

O rei do gatilho

Super bangbang de Michael Gustav, com Kid Morengueira!
Apavorados com a ausência de Kid Morengueira, o mais temível pistoleiro de Wichitta, os big shots de Hollywood resolveram o chamar para salvar a meca do cinema...


Começa o filme com um garoto me entregando um telegrama do Arizona, onde um bandido de lascar, um bandoleiro transviado, que era o bamba lá da zona, e não deixava nem defunto descansar. Dizia urgente, que eu seguisse em seu socorro, que a diligência do oeste, neste ía levar 20 mil dólares do rancho Águia de Prata, onde a moçinha costumava me encontrar:

- Venha urgente, pois estou morta de medo. Beijos da tua Mary!!!

Meti na cinta dois revólveres que atiram sem que eu precise nem ao menos me coçar. Assoviei para um cavalo que passava do outro lado e, com o bandido mascarado fui lutar.

Meti o peito e nem dei bola pro Xerife. Passei direto no saloon, fui me encostando no balcão; com o chapéu em cima dos olhos nem dei conta de que o bandido me esperava a traição.

- CUIDADO MOREIRA!!!

!!!!!!!!TIRO!!!!!!!

Era um índio, meu parceiro, que sabia das intenções do bandoleiro contra mim. E advertia o seu amigo do perigo que corria. Devo-lhe a vida, mas isso não fica assim.

A essa altura o cabaret, em pólvorosa, já tinha um cheiro de cadáver se espalhando. Houve um suspense de matar o Hitchcock e eu em close-up pro bandido fui chegando. (close-up é qdo o cameraman faz de propósito e leva o rosto da gente ao vídeo, deixando assim exposta todas as desgraças feitas pela ação natural do tempo.)

Parou o show e as bailarinas desmaiaram. Fugiram todos, só ficando ele e eu. Ele atirou, eu atirei, nós trocamos tanto tiro que até hj ninguém sabe quem morreu. Eu garanto que foi ele, ele garante que fui eu.

Só sei dizer que a mulher dele hj é viúva, pois nunca fui de dar refresco a inimigo. E como em filme bangbang vale tudo, o casamento da viúva foi comigo!!!

Tem um final, mas o final é meio impróprio e eu não digo. Volte na próxima semana se quiser ser meu amigo. Eu de caubói viro gaiato, mas não fujo do perigo.


(Miguel Gustavo)

5.17.2005

A volta do Cavaleiro sem cabeça

Após um longo inverno retorno a este depositário de ídéias, este sotão de letras que não encontram utilidade em lugar nenhum.

Minha vida anda um tanto qto agitada, porém não é nada que seja digno de se relatar em um lugar que não se pretende levar à sério.

Muitos caminhos, perspectivas, ansiedades e experiências. Quase todos não percorridos, não observados, não saciados e mal experimentados. O dia é muito curto e os segundos muito ágeis. Se não perco a cabeça com o tempo excedente, perco com o tempo que me falta. Enfim, muito lerolero e pouca ação.

No meu emaranhado profisional, pessoinhas se misturam a pessoas da melhor qualidade, num estranho mosaico de ilusões e verdades cruas, infelizmente nem sempre nuas. O tédio impera mesmo quando a mesa está cheia de trabalho e a cabeça cheia de idéias. Perspectivas não faltam, falta ação, oportunidade e portas, de preferências abertas porque meu nariz já cansou de levar porrada.

Turbilhões, vagalhões, vagabundos e produções povoam uma mente fadada à queda, que se norteia pelo leste, ou melhor, sendo assim, se lesteia buscando um porto, um travesseiro, um abismo para olhar, daqueles que te olham de volta.

Uma vez que a queda já não mais assusta e que a ascensão não é mais critério, resta o vazio da mente e a multidão do sono, para que, no final, a cabeça descanse na cesta, ou na sexta, ou na sesta.

No caminho da gulhotina o fraco se lamenta, o forte reza para que esteja lubrificada. Detesta trabalho mal feito!!!

3.31.2005

E já que reclamar é bom e eu gosto...

Até que enfim alguém sobe numa assembléia para reclamar e cobrar providências sobre um problema que aflige praticamente metade de nossa população, principalmente aqueles que passaram da linha dos 40 verões.

Tudo bem que foi na Bahia, mas o Ilmo. Sr. Deputado realmente perdeu a cabeça. Ou terá sido o cabaço??
Check this out:

Deputado petista baiano ocupa tribuna para reclamar de exame de próstata

Bom pra gente lembrar na hora de votar!!!

Vade retrum

Afasta-te de mim preguiça!!
Que os espíritos ancestrais me ajudem a voltar a escrever. O que quero dizer na verdade é algo do tipo: Antigos Espíritos do Mal, transformem essa forma decadente em Mum-ra....

Iniciado o movimento digital de escrita, vamos ver se sai algo produtivo. Espero sinceramente que não!

To pra contar aqui uma cena que assisti essa semana, não lembro o dia. Estava eu, incauto, voltando para casa após um tedioso dia de batalha em minha faina diária. Estava a pé pois me faltavam, e ainda faltam, recursos para pegar um ônibus. Estava meio mal humorado pq além de duro como um côco, estava com uma preguiça violenta. Vale a pena ressaltar que minha casa se localiza a vinte minutos, em passo acelerado, de meu trabalho.

Fato é que, que passei perto de uma escadaria comprida, para aqueles que são familiarizados com a terra de Laranjópolis, fica localizada ao lado do Fluminense. A dita escadaria parece levar ao infinito devido a sua extensão e a dificuldade de ver seu topo. Em alguns momentos dá a nítida impressão de não levar a lugar algum.

Lá estava eu, caminhando e ruminando minha preguiça quando, ao passar pela dita Stairway to heaven (or not) e reparei em um pombo, sim, um pombo, preto e branco subindo as escadas. Aí vcs param e me perguntam, Pô, Dracor? Que mal tem num pombo indo escada acima? E eu rindo respondo, ele não só estava subindo a escada como estava praticando sua pedestria, não confundir com pederastia por favor! Ele subia a escada como eu, vc e qq outro ser terrestre, não aéreo e nem tampouco aquático, bípede, faria ele não voava, nem esvoaçaca escada acima ele andava. A cada degrau que a dita ave subia, abria ridiculamente as asas para manter o equilíbrio. Parei pra assistir a cena. Tudo bem que eu não sabia o que era mais ridículo, a ave dando uma de caminhante ou o paspalho aqui parado olhando pra ver até onde ela ía. Até que ele subiu bastante, mais do que eu subiria. Após acompanhar sua saga escada acima até um bom pedaço da dita, o inusitado da situação passou, o tédio tomou conta de mim e resolvi continuar minha morosa caminhada, deixando a ave seguir seu caminho escada acima. Mas continuei rindo da situação.


Pensei em como as coisas são interessantes nesse mundão. A gente tem trocentos recursos pra ir pra frente(ou no caso, pra cima), para serem utilizados pra nos facilitar a vida e ainda assim, geralmente queremos fazer as coisas do jeito mais difícil. Não se pode nem colocar a culpa no Brasil dessa vez, uma vez que parece que o mundo todo tende a querer as coisas do jeito mais trabalhoso. Bela terra a nossa, onde ave caminha, puta se apaixona e traficante se vicia....

Lentamente continuamos nosso moroso passo em direção à nosso retorno ao lar. Abrindo as asas pra manter o equilíbrio enquanto caminhamos.

3.17.2005

Quem conhece que diga se não é igualzinho!


Não vou nem falar nada. Vou deixar para aqueles que conhecem meu rebento.

3.16.2005

Quarta feira

A divisora de águas da semana!!

O meio termo entre os dias que você não queria que houvessem e os dias que você torce pra que acabem.

Só perde pra Sexta Feira, O dia!

Quem canta seu males estranha.

"Imagine-se num barco, em um rio. Com árvores tangerina e um céu de marmelada. Alguém te chama, você responde lentamente. É uma menina com olhos caleidoscópios..."

... aí eu acordei. Seis horas. Meia hora para me vestir, cinco minutos para o café, mais cinco para fazer a marmita do bóia-morna. Atrasado pra variar.

Correndo chego no ponto de ônibus. Estranha movimentação. Mais gente que normal.
A notícia: Tá tudo parado, saiu a greve dos ônibus!!!

"Tumulto, corra que o tumulto está formado, vem cá, vem ver no meio do tumulto TEM que estar você"

Luzes vermelhas acesas, alerta geral. Hoje meu atraso tem motivo. Recebi a notícia as seis e cinqüenta. Dois minutos pra articular um socorro com meu chefe. As sete, invariavelmente, devo entrar em sala de aula. O celular dele, desligado!

Alerta, desespero, angústia...
... pra falar a verdade nem tanto.

Ligo para o colégio e recebo a ordem: "Pega um táxi que a gente paga aqui"

Quase uma declaração de amor. Me senti muito amado e querido.
Pena que foi preciso parar a frota de ônibus da cidade de São Sebastião pra receber um agrado desses.

"O amor é um grande laço, um passo pra uma armadilha. Um lobo correndo em círculos pra alimentar a matilha"










p.s. ALCATÉIA, Djavan. O coletivo de lobos é ALCATÉIA!!! Matilha é o coletivo de CACHORROS.(Valeu Simas!}

3.09.2005

Desepero Humano

Quarta Feira.

Dia de estar as 7 da manhã em sala de aula, dando aula.

Quarta Feira.

6:45 da manhã; despreocupadamente abro os olhos para olhar as horas.DESESPERO!!!
Agua no rosto, calça, camisa, sapato, bolsa, AULA!!!

Não há nada pior do que cair da cama direto no trabalho. Olhar meus alunos sem ter a certeza de que são reais ou se é só mais um sonho. A cara deles sem saber ao certo se já acordei.

Um capetinha mais articulado veio me perguntar se foi bom ontem... óbvio que perdi a cabeça.